Batizado de “Coletivo Trabalhadores”, projeto do PT une diretórios de Cabo e Ipojuca em busca de representação petista da área de Suape
Um grupo no Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco iniciou as articulações para lançar, pela primeira vez na região do Litoral Sul, uma candidatura coletiva à Assembleia Legislativa (Alepe) nas eleições de 2026.
A iniciativa, denominada Coletivo Trabalhadores, é articulada pelos presidentes municipais da sigla no Cabo de Santo Agostinho, Maricleiton Vieira, e em Ipojuca, Zé Luiz. Os nomes dos integrantes ainda não foram divulgados.
O movimento deseja solucionar um paradoxo eleitoral histórico na região, já que o Litoral Sul seja um reduto fiel ao lulismo em pleitos majoritários, o partido enfrenta dificuldades crônicas para eleger deputados estaduais com base territorial nos municípios que abrigam o Complexo Industrial de Suape.
O projeto envolve, além das duas cidades-âncora, articulações em Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande. Juntos, esses municípios somam um colégio eleitoral superior a 370 mil votantes.
A estratégia do “voto casado”
A tese dos dirigentes é que o PT precisa capitalizar o legado dos governos Lula e Dilma na região, com investimentos como a Refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul, para gerar voto proporcional.
Em 2022, por exemplo, o presidente Lula teve mais de 70% dos votos válidos em Ipojuca no primeiro turno.
No mesmo pleito, a senadora Teresa Leitão (PT) foi a candidata mais votada para o Senado no município. No entanto, essa transferência de votos não ocorreu para a Alepe, o deputado estadual mais votado na cidade foi Romero Sales Filho (União Brasil), de um campo político oposto.
“O Litoral Sul precisa ocupar o espaço político que lhe é devido. Defender o legado dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma é também garantir que os investimentos estruturantes feitos aqui se revertam em direitos“, argumenta Maricleiton Vieira, presidente do PT Cabo.
O modelo coletivo
Ao optar pelo formato de “mandato coletivo”, o PT do Litoral Sul aposta em um modelo de representação que ganhou força em Pernambuco a partir de 2018, com a eleição das Juntas (PSOL), e se expandiu em 2020 e 2022, geralmente associado a pautas identitárias e partidos à esquerda do PT.
Em 2022, Romero Albuquerque (União Brasil) seguiu o modelo coletivo em um mandato com seu irmão Luís Romero, também da causa animal.
Juridicamente, no entanto, a candidatura coletiva opera em uma espécie de “vácuo legal”.
Para a Justiça Eleitoral, o registro é individual (apenas um CPF e um nome de urna oficial, que pode vir acompanhado da designação “coletivo”). Isso exige um acordo político interno para gestão de gabinete e tomada de decisões, já que a “caneta” oficial permanece na mão de apenas um titular.
Zé Luiz, presidente do PT Ipojuca, declara que a união entre as duas cidades vizinhas é inédita.
“Pela primeira vez, duas cidades estratégicas para a economia de Pernambuco se unem em torno de um projeto político comum. Precisamos de representantes que conheçam a realidade local e estejam legitimados para fiscalizar a riqueza gerada por Suape”, afirma.
Base do PT para Alepe
Além do coletivo, outras figuras planejam ampliar a base do PT na Alepe. As especulações no partido incluem:
- A migração da deputada Dani Portela do PSOL para o lado petista, que aguarda apenas a janela partidária
- Os rumores sobre a candidatura da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintepe), Ivete Caetano
- O marido da prefeita de Serra Talhada, Breno Araújo, que sairá do PSB para o PT da esposa (Márcia Conrado). Já é autodeclarado pré-candidato para deputado estadual
Além deles, também tentarão a reeleição João Paulo e Doriel Barros. Rosa Amorim sairá para Câmara dos Deputados.
Fonte: Jamildo





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