Na disputa pelo Senado, Mendonça mira votos órfãos de Miguel Coelho e os eleitores de Eduardo da Fonte. Mais de 50% do eleitorado pode mudar de voto
Na sua primeira fala oficial como candidato do PL ao Senado, em Pernambuco, o deputado federal Mendonça Filho referiu-se ao aliado Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, como alguém que foi ‘defenestrado’ da chapa majoritária do governo Raquel.
Quem defenestrou?
Quem é arremessado fora é arremessado por alguém. Como o nome da governadora estava estampado na camisa da esposa de Mendonça, ao seu lado, fica subentendido que quem defenestrou Miguel Coelho foi Eduardo da Fonte, presidente do PP e que preside a federação em Pernambuco.
Pois bem… são os votos que se dividem entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte que podem definir o sucesso ou fracasso da nova empreitada do ex-governador Mendonça Filho.
Não foi à toa que o PL divulgou a indicação na véspera da convenção do União Brasil, de Dudu. Escolado, Eduardo da Fonte reprogramou a data da sua convenção para o último dia, de modo a poder esperar a definição da movimentação da governadora Raquel Lyra e aliados.
A mais recente pesquisa Quaest sobre as eleições em Pernambuco trouxe algumas pistas do que pode se desenrolar nesta disputa.
O primeiro ponto a se considerar era que, com 8% das indicações de voto, Mendonça Filho já aparecia na frente de Eduardo da Fonte (6%), Miguel Coelho (6%) e Túlio Gadelha (4%).
Na estratificação dos votos, o melhor desempenho de Mendonça se dá com os bolsonaristas, com 19%.
Para efeito de comparação, Eduardo da Fonte tem 8% de intenções entre os bolsonaristas. Miguel aparece logo atras de Mendonça, com 12% das citações entre os bolsonaristas.
Não por acaso, nos últimos anos, como parlamentar, Mendonça Filho vem radicalizando o discurso para ajustar-se a esta faixa do eleitorado. Na direita não bolsonarista, atinge 11% das intenções de voto.
No que toca ainda ao posicionamento político, Mendonça tem 8% de intenções entre os eleitores independentes. Aqui, Marília lidera com 15%.
No que mais interessa a aliada Raquel Lyra, nesta projeções da Qauest, Mendonça ainda rouba 5% de intenções de voto entre os lulistas e 5% no voto da esquerda não lulista. Em uma campanha que promete ser apertada, todo voto conta.
Transferência de votos de Miguel e Dudu
Com Marília Arraes e Humberto Costa, na frente, neste momento da campanha, os adversários contam com o desenrolar da campanha.
A mais recente pesquisa Quaest aponta que 53% dos entrevistados pode mudar de voto para o Senado. Só 46% dos entrevistados disse que o voto é definitivo, mas a dois meses do pleito nem isto é liquido e certo.
De saída, Mendonça Filho pode herdar os votos simpáticos a Miguel Coelho. 65% deles já admitia que podia mudar, 35% se declarava como definitivo. Aqui vai ser testada a capacidade do ex-prefeito de Petrolina em transferir seus votos.
No entanto, o maior alvo de Mendonça deve ser o candidato do PP ao Senado, Eduardo da Fonte. Na Quaest, 59% dos entrevistados dizia que podia mudar o voto. 41% se apresentada como definitivo.
Votos dos independentes
Outra fonte de batalha do ex-governador deve ser a pescaria de votos dos independentes. É aqui que o PL tenta se encaixar, apresentando-se como “neutro” na disputa.
As pesquisas da Quaest mostram que a maioria dos entrevistados (47%) querem senadores aliados de Lula, mas os que buscam nomes independentes ficam logo atrás, com 33% das citações. Os que preferem aliados de Bolsonaro são 16% dos entrevistados.
Mesma rejeição que Marília Arraes
Onde pescar votos então? Descendo ainda mais nos números, 37% dos independentes não conhecem Mendonça, seja para votar ou rejeitar.
Segundo os dados da Quaest, Mendonça já tem os votos dos bolsonaristas (45% conhecem e votariam) e da direita não bolsonarista (41% conhece e votaria).
De quebra, o ex-governador ainda pega 14% dos votos dos eleitores de Lula que dizem conhecer e votar nele e chega a ter 17% de conhece e votaria entre os votos da esquerda não Lulista. Esse índice de conhece e votaria chega a 25% entre os votos que se dizem independentes.
A maior rejeição é entre os eleitores da esquerda não lulista. 51% diz que conhece e não votaria. A melhor aceitação é entre o voto bolsonarista, onde tem 45% de eleitores que dizem conhecer e que votaria nele. Neste segmento, só 26% diz que conhece e não votaria, conforme os dados compartilhados pela Quaest com o Jamildo.com.
Fonte: Jamildo






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