Justiça determinou conteúdos de Eduardo Moura que associam Jones Manoel à apologia ao estupro; psolista acionou PF contra vereador por fala em podcast
Candidatos à Câmara dos Deputados, Jones Manoel (PSOL) e Eduardo Moura (Novo) disputam judicialmente acusações e falas proferidas durante o debate no podcast Fala Ordinário, no dia 22 de julho.
O candidato do PSOL conseguiu tutela de urgência que determina a remoção de vídeos que associem Jones Manoel à apologia ao estupro, sob multa diária de R$ 1 mil caso os conteúdos permaneçam online. A sanção é aplicada ao vereador recifense e também ao pré-candidato a deputado estadual Gabriel Asafe (Missão).
A decisão judicial temporária também impõe que os réus não realizem novos posts ligados à associação de Jones ao crime de estupro. O documento ainda obriga a empresa Meta a retirar do ar os conteúdos com o tema.
“Verifica-se que a própria documentação juntada indica que o autor, durante o debate, manifestou expressamente repúdio à violência sexual, circunstância que, em tese, fragiliza a narrativa posteriormente difundida nas redes sociais”, escreveu o juiz responsável pelo caso, de acordo com trecho divulgado por Jones Manoel.
Eduardo Moura alega censura
Durante reunião ordinária da Câmara Municipal do Recife na última terça-feira (4), Eduardo Moura falou sobre o caso, mas sem citar nomes. “Fiz o debatedor assumir a verdade dele, fiz o debatedor assumir o que ele apoia”, disse.
O parlamentar classificou a decisão judicial como prática de censura e criticou colegas de Câmara que pregam contra o silenciamento e a favor da proteção de mulheres e que não se manifestaram a favor de sua posição. “Sofro censura por expor a verdade… É um “crime” mostrar a verdade, mas não é um crime você apoiar qualquer tipo de resistência após ser exposto um caso de estupro de um ano e dois meses de uma mulher” por essa tal resistência, declarou o vereador.
Já Gabriel Asafe não se demonstrou preocupado com o caso e disse que a medida é apenas uma liminar e que espera o processo para se defender na Justiça. Além disso, ele também representou o psolista no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), alegando “apologia à violência contra mulheres, terrorismo e violência”.
Denúncia sobre o vereador na PF
Além do processo contra as acusações de apologia ao estupro, Jones Manoel requereu a abertura de inquérito da Polícia Federal para investigar o vereador por suposta posse de “vídeo de um bebê sendo abusado”.
A denúncia de Jones ocorre também com base em uma fala de Eduardo Moura durante o podcast, no qual o parlamentar disse: “Eu ia trazer um vídeo aqui de um bebê sendo estuprado, porque isso tem na deep web”.
Também na reunião da Câmara da terça-feira, Liana Cirne (PT), única parlamentar feminina presente no plenário, criticou Moura, após ele reclamar não ter recebido apoio de nenhuma vereadora em meio ao processo com o candidato do PSOL.
“Não conte comigo para concordar com esse tipo de prática que viola a moral, a intimidade e os direitos da criança e do adolescente. Possuir o arquivo no seu celular, por si só, já é crime”, disse a doutora em Direito.
Fala de Jones
Quando perguntado sobre defender, ou não, o estupro de mulheres presas pelo grupo terrorista Hamas, Jones Manoel criticou o regime israelense, fez um panorama sobre o conflito entre Israel e Palestina e disse: “A gente apoia todas as formas de resistência do povo palestino. Eu não sou sommelier de resistência, não. A forma que o povo palestino quiser lutar pela sua libertação, ele lute”.
“Ele [Eduardo Moura] pega o tema da questão palestina para pagar de paladino das mulheres, um sujeito que é misógino, que é escroto com mulheres na Câmara dos Vereadores, que tem mania de interromper mulheres… E não, Eduardo, eu não defendo o estupro“, completou.
Fonte: Jamildo





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