Presidenciável do Missão afirmou que avanço de Cury ocorre entre eleitores despolitizados e criticou João Campos durante coletiva no Recife
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) criticou, nesta sexta-feira (4), no Recife, o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto e afirmou que o adversário terá dificuldades para sustentar o desempenho quando precisar assumir posições sobre temas considerados controversos na eleição.
Durante coletiva de imprensa em Pernambuco, Renan atribuiu parte da ascensão de Cury à estratégia de evitar posicionamentos que possam aumentar sua rejeição. Segundo o candidato, o escritor teria atraído eleitores que não se identificam com a polarização política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
“Basicamente ao não fazer nada e não ganhar rejeição, porque ele não quer se posicionar sobre nada, ele pegou o eleitor despolitizado. Naturalmente agora, no momento em que as pessoas vão precisar se politizar, ele vai precisar se posicionar. E, ao se posicionar, ele vai começar a merecer a rejeição”, afirmou.
Cury chega à terceira colocação
O crescimento de Augusto Cury aparece nos levantamentos divulgados nesta semana. Na pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira (3), o candidato do Avante registrou 8% das intenções de voto, seis pontos percentuais acima da rodada anterior. Renan Santos apareceu com 3%.
Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2), Cury marcou 10%, enquanto Renan teve 3%. O movimento também foi registrado pela Futura/Apex, que apontou 9,9% para Cury e 2,8% para o candidato do Missão.
Renan questionou ainda a existência de uma base política consolidada em torno do adversário. Ele afirmou não identificar lideranças públicas que estejam declarando apoio à candidatura de Cury e avaliou que o crescimento estaria relacionado principalmente à busca de uma parcela do eleitorado por uma alternativa à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O candidato voltou a criticar a polarização entre os dois grupos políticos e afirmou que ambos estariam envolvidos, segundo sua avaliação, em problemas que impediriam mudanças no país.
Ao comentar a estratégia de Cury, Renan citou o slogan utilizado pelo adversário: “Nem picanha nem fuzil, eu quero Rivotril”. Posteriormente, a campanha de Cury passou a utilizar a formulação “Nem picanha, nem fuzil: quero o Brasil sem Rivotril”.
Renan classificou a mensagem como uma forma de alienação política e disse que pretende disputar esse eleitorado por meio de um discurso de mobilização. Apesar de reconhecer o avanço de Cury nas pesquisas, afirmou que o adversário terá de se posicionar conforme temas mais controversos ganhem espaço na campanha. “Ele vai ter que se posicionar agora”, resumiu.
Críticas a João Campos
Na mesma coletiva, Renan Santos também direcionou críticas ao candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB). O presidenciável afirmou que fará oposição ao grupo político do socialista durante a disputa estadual.
A declaração ocorreu após Renan mencionar vídeos publicados pela deputada federal Tabata Amaral (PSB), esposa de João Campos, nos quais, segundo ele, ela teria feito críticas à sua candidatura.
“Tenho uma ojeriza a figura do João Campos, à dinastia dele, a linhagem dele, do pai dele, das famílias de donos de canaviais e donos de escravos que eles tinham no século XIX, que essa é a origem da família dele. Vou fazer oposição a eles em todos os sentidos. O João Campos que é um frouxo, ele é um homem muito fraco, ele botou a esposa dele, que é a esposa home office que nunca estão juntos, que é a Tabata Amaral para ficar me atacando, gravando vídeos. Não vou responder ela e eu vim aqui responder ele. Ele eu respondo”, afirmou.
Renan relacionou ainda a disputa pelo Governo de Pernambuco ao cenário nacional. Segundo ele, uma eventual derrota de João Campos demonstraria, em sua avaliação, que a esquerda não teria maioria política no Estado.
Críticas ao STF
O presidenciável também retomou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. Ao abordar os episódios relacionados ao Banco Master, Renan afirmou que o país atravessa uma crise institucional e voltou a defender a elaboração de uma nova Constituição. “Não há mais um país, não há mais institucionalidade”, declarou.
Na avaliação do candidato, os acontecimentos envolvendo o STF indicariam um enfraquecimento da separação entre os Poderes. Renan reiterou ainda a defesa do impeachment de ministros da Suprema Corte e afirmou que a população brasileira precisa retomar a mobilização política.
Fonte: Jamildo






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