Interlocutores do Palácio avaliam que movimentação do deputado pode levar a entrega de cargos e abrir espaço para novas articulações políticas
Aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) avaliam, nos bastidores, que o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, pode deixar a base do governo estadual nos próximos dias. A definição dependeria das composições partidárias até o fim da janela de filiações, em 3 de abril.
Segundo relatos reservados de integrantes do entorno da governadora, o Palácio do Campo das Princesas já considera a possibilidade de saída do grupo político do parlamentar do governo.
A eventual decisão de Eduardo da Fonte de integrar o palanque do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao lado do senador Humberto Costa (PT), altera o cenário político estadual e provocado reações dentro do governo.
Interlocutores da governadora afirmam que a movimentação do deputado teria “bagunçado o tabuleiro político” e ampliado as possibilidades de articulação da gestora com outras legendas. Esses aliados avaliam que a saída do grupo de Eduardo da Fonte da base estadual seria um movimento positivo para Raquel. “Caso se confirme e ele deixe o governo, abre muito espaço. O que sobra permite negociar com outros partidos”, disse um aliado da governadora, sob reserva.
Entre os cenários cogitados nos bastidores estão uma eventual reaproximação com o PDT e o PSDB, além de conversas com o Republicanos, que, segundo aliados, estaria avaliando o espaço no campo governista com a chegada de Silvio Costa Filho para concorrer ao Senado no palanque de Raquel na atual fotografia.
Atualmente, o PP ocupa diversos espaços na administração estadual. Desde o apoio declarado à governadora no segundo turno das eleições de 2022, o partido passou a comandar, por exemplo, o Porto do Recife, a LAFEPE, a Secretaria de Turismo e Lazer e a Arena de Pernambuco.
Na Assembleia Legislativa, a legenda também integra a base governista e figura como a maior bancada. Apesar disso, o cenário pode mudar. Parlamentares ouvidos reservadamente afirmam que podem deixar o partido caso a aproximação de Eduardo da Fonte João Campos avance. “Vai ficar esvaziado”, avaliou um deputado estadual sob condição de anonimato.
Recentemente, o deputado estadual Antônio Moraes declarou que poderia migrar para o PSD caso essa movimentação se confirme. Nos bastidores, também se comenta que a filiação da deputada estadual Delegada Gleide Ângelo ao PP, deixando o PSB, confirmada na quinta (12), seria uma tentativa de reforçar a bancada da legenda e manter interlocução com João.
Enquanto isso, aliados da governadora acompanham também as conversas em andamento entre Raquel Lyra e a ex-deputada federal Marília Arraes, que disputou o governo do estado em 2022 e fala que a candidata ao Senado é irreversível.
Interlocutores avaliam que uma eventual composição que reúna Marília – um nome mais à esquerda – poderia ampliar o alcance eleitoral da governadora. “É muito positiva para Raquel essa aproximação”, afirmou um integrante da base governista.
Segundo aliados do governo, os detalhes da conversa entre Raquel Lyra e Marília Arraes não foram compartilhados com o entorno político da governadora. “O que aconteceu nessa conversa, só elas sabem”, disse um interlocutor.
Fonte: Jamildo





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