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Após um ciclo acelerado de expansão, o mercado de streaming entrou em uma fase de acomodação – e, agora, de reconfiguração. O setor floresceu entre 2019 e 2021, impulsionado pela chegada de novas plataformas e por preços baixos, mas, na sequência, se deparou com um crescimento mais lento na base de assinantes.
Agora, as grandes empresas apostam em publicidade, conteúdos alternativos (como esportes) e uniões entre si.
A ‘corrida do streaming’ começou com a estreia de serviços como Disney+, Paramount+, Apple TV+, Peacock e HBO Max, que passaram a disputar espaço com a Netflix, então líder isolada. Naquele momento, as assinaturas eram mais baratas e a concorrência favoreceu uma explosão de produções originais que rapidamente se tornaram fenômenos culturais.
Esse cenário começou a mudar a partir de 2022. O crescimento impulsionado pela pandemia perdeu força, enquanto muitos serviços passaram a enfrentar dificuldades para alcançar a lucratividade. Estúdios reduziram drasticamente a produção de séries roteirizadas, cancelaram projetos e adotaram estratégias polêmicas, como a introdução de anúncios, reajustes frequentes de preços e restrições ao compartilhamento de senhas.
Nem mesmo a Netflix escapou da pressão: em abril daquele ano, a empresa registrou sua primeira queda no número de assinantes em mais de uma década.
Hoje, o quadro é mais desigual. A Netflix voltou a crescer e encerrou 2025 com cerca de 325 milhões de assinantes globais, após adicionar 25 milhões no ano. Já os concorrentes mostram sinais de estagnação.
Aposta em esportes e anúncios
Com a disputa por novos assinantes cada vez mais difícil, eventos esportivos exclusivos tornaram-se uma das principais armas para atrair assinantes. O Paramount+ passou a concentrar transmissões do UFC, o Peacock garantiu jogos exclusivos da NBA até a temporada 2025/2026 e a Apple TV+ assegurou direitos globais da Major League Soccer. A Fórmula 1 também deve se tornar exclusiva da Apple a partir de 2026.
Paralelamente, a publicidade entrou de vez no modelo de negócios. Dados da empresa Antenna indicam que 46% dos assinantes de grandes plataformas nos Estados Unidos utilizam planos com anúncios. A estratégia amplia receitas, mas também aumenta a insatisfação de parte do público.

Fusão entre streamings
O próximo capítulo do setor pode ser definido por uma consolidação entre empresas.
A aquisição da Warner Bros. pela Netflix tende a redesenhar o mercado ao unir os catálogos do serviço líder a uma das bibliotecas mais valiosas da indústria. Há uma sobreposição revelante (o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, afirmou que cerca de 80% dos assinantes do HBO Max também assinam a Netflix), mas, ainda assim, o movimento reforça a pressão sobre os rivais.
Diante desse cenário, cresce a aposta em pacotes e alianças entre plataformas. Experiências recentes mostram que a estratégia reduz o cancelamento de assinaturas: segundo a Antenna, 80% dos usuários que aderiram ao pacote Disney+, Hulu e HBO Max lançado em 2024 permaneceram ativos após três meses. A Disney, inclusive, planeja integrar totalmente o Hulu ao aplicativo Disney+ até o fim deste ano, enquanto rumores indicam uma possível fusão entre Paramount+ e Peacock.
Apesar do avanço da Netflix, o caminho não está livre de obstáculos. A aquisição da Warner Bros. enfrenta questionamentos regulatórios nos Estados Unidos, onde parlamentares expressaram preocupação com possíveis impactos sobre preços, empregos e a indústria cinematográfica.
As informações fazem parte do The Stepback, boletim informativo do site The Verge.




