Operação Vem Diesel apura formação de cartel e margens de lucro de até 277% em distribuidoras após escalada de preços dos combustíveis em março
A Polícia Federal, em conjunto com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), deflagrou a Operação Vem Diesel nesta sexta-feira (27).
A força-tarefa cumpre mandados em 11 estados, incluindo Pernambuco, e no Distrito Federal para combater o aumento irregular de preços nas bombas e a possível formação de cartel entre empresas do setor.
As equipes de fiscalização buscam identificar práticas que prejudicam o orçamento do trabalhador. Segundo a nota oficial da Polícia Federal, o objetivo da ação é apurar crimes contra a ordem tributária e econômica. Eventuais irregularidades detectadas pelos fiscais serão encaminhadas para a devida apuração de autoria e materialidade delitiva pela corporação.
Lucro de distribuidora saltou 277%
As investigações ganharam corpo após um balanço divulgado na quinta-feira (26) pelos ministérios da Justiça e de Minas e Energia. Desde o dia 9 de março, a fiscalização percorreu 3.181 postos de gasolina e 236 distribuidoras em todo o país.
A Senacon revelou que, das 78 distribuidoras fiscalizadas pela ANP, 16 foram autuadas por indícios de preços abusivos.
Em uma dessas empresas, os fiscais encontraram sinais de um aumento de 277% na margem bruta do diesel. O governo monitora se as refinarias aplicam os reajustes de forma desproporcional por distribuidoras e postos, especialmente em períodos de transição de estoques, o que pode configurar infração à ordem econômica.
Conflito no Oriente Médio versus especulação local
A escalada no preço dos combustíveis ocorreu após o aumento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito afeta o Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% do petróleo e gás mundial.
Em Pernambuco, onde o litro da gasolina atingiu a marca de R$ 7,50 em março, o setor varejista atribui a alta à dependência de produtos importados e à variação cambial do dólar.
O Sindicombustíveis-PE aponta que o movimento internacional também pressiona o preço do etanol devido à relação de competitividade com a gasolina.
Dentre os políticos que criticaram o caso, a vereadora do Recife Kari Santos (PT) formalizou denúncias ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e ao Procon-PE.
A parlamentar argumenta que os aumentos ocorrem sem que a Petrobras anunciasse reajustes oficiais nas refinarias. Para a vereadora, a prática configura crime contra o consumidor por mera especulação financeira.
Fonte: Jamildo






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