Operação da PF autorizada por Alexandre de Moraes mira servidores da Receita e do Serpro sobre origem de vazamentos sobre contrato da esposa do ministro
A Polícia Federal (PF) cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (17) para investigar o vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares.
O ministro Alexandre de Moraes autorizou as medidas, que ocorreram nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação integra o Inquérito 4.781, conhecido como o inquérito das fake news.
O vazamento abrange informações de cerca de cem pessoas, incluindo os dez ministros atuais da Corte, esposas, filhos e irmãos.
A PF já identificou acessos indevidos estão os dados de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e do filho de outro integrante do tribunal. A suspeita recai sobre um servidor do Serpro cedido à Receita Federal, que teria consultado as declarações de Imposto de Renda sem justificativa legal.
Além das buscas, o STF impôs as seguidas medidas cautelares contra os investigados:
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Uso de tornozeleira eletrônica com monitoramento em tempo real.
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Afastamento imediato do exercício de função pública.
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Cancelamento de todos os passaportes e proibição de sair do país.
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Proibição de acesso às dependências e sistemas da Receita Federal e do Serpro.
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Recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana.
Origem da investigação e Banco Master
A investigação busca identificar a origem de vazamentos de informações que relacionam o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
Detalhes de um contrato de janeiro de 2024 indicam que o escritório receberia R$ 3,6 milhões por mês durante três anos. O montante total chegaria a R$ 129 milhões até o início de 2027.
Moraes abriu o inquérito de ofício em 12 de janeiro, quando exercia a presidência interina da Corte durante o recesso judiciário. O objetivo é verificar se a quebra de sigilo fiscal ocorreu de forma coordenada para municiar ataques contra magistrados. A PF apura ainda se os dados foram comercializados com terceiros.
Posição da Receita Federal
A Receita Federal afirmou em nota que não tolera desvios e que seus sistemas são “totalmente rastreáveis”. Segundo o órgão, qualquer consulta deixa registros auditáveis, o que permite identificar os responsáveis por acessos imotivados. O Fisco já aplicou sanções em sete processos disciplinares desde 2023, resultando em três demissões.
A Receita Federal deve apresentar o relatório final sobre as tentativas de acesso aos dados dos ministros e seus parentes após o feriado de Carnaval.
Fonte: Jamildo






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