Edital deve ser lançado apenas em setembro de 2026, com contratos previstos para 2027; ônibus do Grande Recife operam sem concessão formal
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano adiou mais uma vez a licitação para contratação definitiva das empresas que operam as linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife. O novo cronograma prevê a publicação do edital apenas em setembro de 2026, com eventual assinatura dos contratos em fevereiro de 2027.
Com isso, o processo iniciado em 2013, ainda na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), permanece inconcluso. Na administração da governadora Raquel Lyra (PSD), o certame já foi adiado duas vezes.
Atualmente, cerca de 75% do sistema funciona sob regime de permissão, considerado juridicamente mais precário do que a concessão formal obtida por meio de licitação. Na prática, as empresas operam sem contratos definitivos que estabeleçam metas e obrigações detalhadas.
A licitação foi apresentada há mais de uma década como medida para reorganizar o sistema metropolitano, com previsão de investimentos de R$ 15 bilhões e divisão da operação em sete lotes. Apenas dois tiveram contratos assinados, em 2013, quando as empresas Conorte e Metropolitana assumiram, respectivamente, os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste.
Enquanto o processo não é concluído, usuários relatam superlotação, atrasos e problemas na conservação dos veículos.
Frota sucateada
Levantamento divulgado em dezembro de 2025 pelo Ministério Público de Pernambuco apontou que aproximadamente um terço dos ônibus em circulação no Grande Recife já ultrapassou a vida útil recomendada. Em algumas empresas, segundo o órgão, mais da metade da frota estaria nessa condição.
O MPPE informou que parte significativa dos veículos opera além do tempo indicado, o que pode comprometer a qualidade do serviço. Entre os problemas relatados estão falhas mecânicas, desconforto e riscos à segurança dos passageiros.
O órgão expediu recomendações ao consórcio para que haja substituição dos coletivos e alertou que, mantido o ritmo atual, até 70% da frota poderá estar fora do prazo recomendado até o fim de 2026.
Entidades criticam novo adiamento
A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco informou ter sido comunicada oficialmente sobre o segundo adiamento do edital. Segundo a entidade, a ausência de contratos definitivos transfere ao Estado parte significativa dos custos do sistema por meio de subsídios fiscais, estimados em cerca de R$ 500 milhões, além da tarifa paga pelos usuários.
De acordo com a frente, em 2025 o governo estadual desembolsou aproximadamente R$ 22 milhões com compra antecipada de passagens. A entidade também afirma que o sistema vem perdendo passageiros e que o custo do transporte, hoje a Tarifa A é de R$ 4,50 compromete parcela relevante do orçamento familiar.
Em nota, o coordenador da organização, Pedro Josephi, que também integra o Conselho Superior de Transporte Metropolitano, criticou o novo cronograma e mencionou questionamentos judiciais sobre reajustes tarifários. A entidade informou ter apresentado recurso ao Tribunal de Justiça de Pernambuco relacionado ao aumento da passagem.
Fonte: Jamildo





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