Dados do Ministério do Trabalho apontam que 382 mil pernambucanos deixariam a escala 6×1 com proposta de redução da jornada semanal
Prestes a ser votado na Câmara dos Deputados, após a reunião entre Lula e o presidente da Casa, a escala 6×1 teria impacto direto em 382.697 trabalhadores em Pernambuco caso seja aprovada a proposta de extinção da escala 6×1 no país. O número corresponde aos profissionais que atualmente trabalham seis dias por semana com apenas um dia de descanso e que passariam a atuar no modelo 5×2, com duas folgas semanais.
Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e integram o levantamento nacional sobre jornada de trabalho no Brasil. Segundo o estudo, Pernambuco possui hoje 915.345 trabalhadores já inseridos na escala 5×2, o equivalente a 70,52% das pessoas identificadas. Outros 29,48% ainda atuam no regime 6×1.
A proposta de mudança na jornada de trabalho é tratada como prioridade pelo governo federal. Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional, em regime de urgência constitucional, um projeto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantém os salários e garante dois dias de descanso remunerado.
Durante pronunciamento no Dia do Trabalhador, Lula afirmou que o atual modelo não acompanha as transformações tecnológicas e sociais do mercado de trabalho.
“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, declarou o presidente.
Redução da jornada alcançaria mais de 1,2 milhão de trabalhadores
Além dos profissionais diretamente inseridos na escala 6×1, o levantamento aponta que 1.228.462 trabalhadores pernambucanos seriam impactados pela redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
A medida atingiria principalmente setores com maior concentração de jornadas extensas, como comércio, serviços, indústria e logística.
No Brasil
No cenário nacional, o Ministério do Trabalho identificou 44,7 milhões de trabalhadores com jornada registrada. Desses, cerca de 14,9 milhões ainda atuam no regime 6×1, o equivalente a aproximadamente um terço do total analisado.
Os dados mostram ainda que 38,6 milhões de pessoas trabalham atualmente acima de 40 horas semanais. Dentro desse grupo, 37,2 milhões cumprem carga horária de 44 horas por semana, enquanto outros 1,4 milhão atuam entre 40,1 e 43,9 horas.
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de trabalhadores submetidos à escala 6×1, com 7 milhões de pessoas. Em seguida aparecem as regiões Sul, com 2,9 milhões; Nordeste, com 1,97 milhão; Centro-Oeste, com 1,34 milhão; e Norte, com 751,7 mil trabalhadores.
Entre os estados, São Paulo lidera o ranking nacional, com 4,28 milhões de pessoas no regime 6×1. Minas Gerais aparece na sequência, com 1,46 milhão, seguido por Rio de Janeiro, com 1,05 milhão, Santa Catarina, com 1,04 milhão, e Paraná, com 1,03 milhão.
A discussão sobre a mudança na jornada de trabalho ocorre paralelamente às negociações no Congresso Nacional sobre a proposta que prevê redução gradual da carga horária semanal sem alteração salarial.
Fonte: Jamildo






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