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Debate sobre nova jornada de trabalho traz desafios para a construção civil e sua cadeia produtiva

Sinduscon-PE considera que a redução da jornada poderá elevar em até 10% os custos do setor. Na foto, o presidente do sindicato, Paulo Wanderley. - Foto: Divulgação

Debate sobre nova jornada de trabalho traz desafios para a construção civil e sua cadeia produtiva

Por: Redação
3 de junho de 2026
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Coluna Construindo Pernambuco: construção civil apoia discussão sobre qualidade de vida, mas alerta para impactos da redução da jornada e seus reflexos sobre os custos de obras de infraestrutura e imóveis

O debate nacional sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas tem despertado preocupação na indústria da construção civil.

Embora a proposta seja vista como uma medida voltada à melhoria das condições de trabalho, empresários do setor alertam para os impactos que a mudança poderá provocar nos custos de produção e, consequentemente, nos preços dos empreendimentos imobiliários.

A preocupação não se restringe às construtoras. O setor avalia que os efeitos da redução da jornada alcançarão toda a cadeia produtiva da construção, desde fabricantes de insumos até prestadores de serviços especializados, ampliando os custos em diferentes etapas da produção.

Nas mesas de debate dentro da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), tem sido defendida consideração dos reflexos sobre os custos trabalhistas, a produtividade e a geração de empregos. A entidade aponta que mudanças dessa natureza devem ser acompanhadas por medidas que promovam ganhos de eficiência e competitividade.

Impacto pode atingir toda a cadeia produtiva

Em Pernambuco, o Sinduscon-PE, sindicato que representa as construtoras no estado, considera que a redução da jornada poderá elevar em até 10% os custos do setor. Afirma que a diminuição de quatro horas semanais terá impacto direto na folha de pagamento das empresas.

Pelos cálculos do sindicato patronal, para manter os atuais níveis de produção, muitas empresas precisarão ampliar seus quadros de funcionários ou reorganizar escalas, o que aumentará as despesas operacionais.

Além disso, fornecedores também deverão absorver custos trabalhistas maiores, repassando reajustes aos preços dos materiais e serviços utilizados nas obras.

O alerta surge em um momento de forte aquecimento da construção civil, sugerindo um freio de arrumação. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor cresceu 2,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três últimos meses de 2025.

O desempenho reflete o avanço dos investimentos em infraestrutura e o elevado volume de lançamentos imobiliários registrados no ano passado.

Segundo a CBIC, os lançamentos imobiliários cresceram 13,88% em 2025, alcançando 471.769 unidades, enquanto as vendas avançaram 7,18%, totalizando 433.681 imóveis comercializados. Como os empreendimentos possuem ciclos longos de execução, a expectativa é de manutenção da atividade econômica nos próximos anos.

Para sustentar esse ritmo, iniciativa privada e governos precisarão pensar – e colocar em prática – meios para formar e capacitar mais profissionais a fim de atender a demanda, que já não é pequena.

Isso porque a geração de empregos também confirma o bom momento do segmento. Em abril de 2026, a construção civil criou 23.525 postos de trabalho com carteira assinada, tornando-se o segundo maior gerador de vagas formais do país.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, foram abertas 143.547 novas vagas, o melhor resultado para o período desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.

Em Pernambuco, o debate sobre novos custos trabalhistas ocorre logo após a conclusão das negociações coletivas da categoria.

A nova tabela salarial da construção civil passou a vigorar retroativamente a 1º de maio de 2026 e permanecerá válida até abril de 2027. O acordo prevê reajuste de 4,19% para salários de até R$ 8.475,55, além da concessão de cesta alimentação mensal para trabalhadores com remuneração de até R$ 4.500.

O presidente do Sinduscon-PE, Paulo Wanderley, destacou o ambiente de diálogo e respeito que marcou as negociações este ano, mas ponderou que a atual conjuntura econômica e o peso dos encargos trabalhistas limitam avanços salariais mais expressivos.

Pela nova convenção, o salário-base do profissional da construção em Pernambuco chegou a R$ 2.406,80, número acima da média nacional, de R$ 2.386,56.

Diante desse cenário de expansão da atividade, aumento do emprego formal e reajustes salariais recém-negociados, o setor acompanha com atenção a tramitação da proposta de redução da jornada.

A avaliação predominante entre as entidades empresariais é que qualquer alteração nas regras de trabalho precisará equilibrar ganhos sociais, manutenção da competitividade e sustentabilidade econômica de uma das cadeias produtivas mais relevantes do país.

Fonte: Jamildo

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