Com fim da escala 6×1, construção vê necessidade de mais 288 mil trabalhadores e efeito no Minha Casa, Minha Vida, obras públicas e preços de imóveis
O fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho podem elevar em até 10% os preços de produtos e serviços da construção civil, especialmente no mercado imobiliário, segundo cálculos preliminares da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
A entidade também estima aumento de 15% no custo da mão de obra, com impacto de R$ 155,6 bilhões por ano. Os números fazem parte dos argumentos apresentados pelo setor na discussão sobre mudanças na jornada de trabalho.
A CBIC afirma não ser contrária à redução da jornada, mas defende que uma eventual mudança considere as características específicas de cada atividade econômica. Para a construção, a alteração teria efeitos sobre custos, disponibilidade de trabalhadores, cronogramas e contratos públicos e privados.
Minha Casa, Minha Vida também pode ser afetado, diz CBIC
Entre as principais preocupações apresentadas pela entidade está o impacto sobre a construção de unidades habitacionais, inclusive empreendimentos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida.
Segundo a CBIC, a elevação dos custos de mão de obra e a necessidade de ampliar o número de trabalhadores poderiam pressionar os preços e os prazos de entrega dos empreendimentos.
O alerta também alcança grandes obras de infraestrutura e equipamentos públicos, como metrôs, redes de saneamento, hospitais e creches.
A entidade argumenta que boa parte desses contratos é de longo prazo e foi estruturada considerando determinada quantidade de trabalhadores, jornada e cronograma. Mudanças durante a execução poderiam provocar aumento de custos e pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro.
Setor calcula necessidade de mais 288 mil trabalhadores
Outro número apresentado pela CBIC é a necessidade de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais para manter o atual nível de atividade após uma eventual redução da jornada nos termos discutidos.
A contratação desse contingente representaria custo adicional estimado em R$ 13,5 bilhões por ano.
O setor argumenta que a expansão do quadro de funcionários esbarra em um problema já enfrentado pelas empresas: a escassez de mão de obra. Na avaliação da entidade, caso as vagas adicionais não sejam preenchidas, uma das consequências poderia ser a redução do ritmo das obras.
A combinação de custos maiores e dificuldade para contratar também poderia, segundo a CBIC, levar ao adiamento de investimentos.
Construção defende regras específicas
A CBIC sustenta que uma eventual redução da jornada precisa considerar diferenças entre os setores da economia. Na construção, jornadas diferenciadas já são estabelecidas por convenções coletivas em alguns estados.
A entidade cita ainda a baixa industrialização de parte da construção brasileira como fator que amplia os efeitos da mudança, já que muitas etapas das obras continuam dependendo diretamente da presença de trabalhadores nos canteiros.
A CBIC afirma estar aberta a discutir alternativas com o governo federal e o Congresso Nacional. A entidade defende que a redução da jornada seja acompanhada de estudos sobre produtividade, custos, emprego e investimentos, além de mecanismos de transição para contratos em andamento.
Para a representação empresarial da construção, uma mudança dessa dimensão não deveria ser definida sob pressão do calendário eleitoral.
Fonte: Jamildo





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