Volume de crédito do Banco do Nordeste para o setor têxtil alcança R$ 831 milhões em 2025, impulsionado por investimentos em inovação no Agreste
O volume de financiamentos concedidos pelo Banco do Nordeste (BNB) ao setor têxtil em Pernambuco registrou crescimento expressivo em 2025. Entre janeiro e dezembro, as contratações somaram R$ 831 milhões, valor 909% superior ao registrado no ano anterior.
Os recursos foram destinados a diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo confecção, comércio de tecidos, tingimento, estamparia, produção de acessórios e outras atividades relacionadas à indústria têxtil no estado.
De acordo com o superintendente do BNB em Pernambuco, Hugo Luiz de Queiroz, o aumento está associado à ampliação dos investimentos em modernização e adoção de novas tecnologias por parte das empresas.
“Esse é um setor que sempre teve grande importância na economia do estado, desde o ciclo do algodão. Estamos percebendo, nos últimos anos, uma maior busca por crédito. De 2023 para 2024, já houve um aumento de 30%. Agora foram quase 1000%. Essa dinâmica se desdobra em outros investimentos e geração de emprego em toda a cadeia produtiva”, afirmou.
A principal fonte de financiamento é o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), que contempla linhas voltadas tanto para capital de giro quanto para investimentos estruturais, modernização de processos e implantação de novas unidades produtivas. Entre as modalidades disponíveis está o FNE Inovação, direcionado ao desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos, além da contratação de consultorias especializadas, incluindo iniciativas com foco em impactos sociais e ambientais.
No Agreste, o polo de confecções apresentou desempenho acima da média. Em Santa Cruz do Capibaribe, considerado um dos principais centros têxteis do estado, as contratações com o BNB alcançaram cerca de R$ 470 milhões em 2025, frente a R$ 16,8 milhões no ano anterior, o que representa crescimento próximo de 2.700%.
O aumento dos investimentos tem impulsionado o surgimento de novos negócios na região. Entre eles está a Entrega+, empresa de tecnologia sediada no município, responsável pelo desenvolvimento do Modall, plataforma de vendas via WhatsApp com uso de inteligência artificial para automatização de atendimentos e organização de processos comerciais. A iniciativa recebe aporte por meio do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Nordeste Capital Semente, vinculado ao BNB.
Segundo o gestor do fundo, Haim Mesel, o ambiente local favorece o surgimento de empreendimentos ligados à inovação. “São filhos e filhas de quem construiu o polo. Pessoas que entendem o mercado pela vivência. Eu mesmo conheci Santa Cruz do Capibaribe aos 13 anos. Quarenta anos depois, estou investindo em uma startup que nasceu exatamente daquele contexto”, disse.
A trajetória do polo têxtil do Agreste remonta a iniciativas iniciadas ainda na década de 1980. Em 1986, o documentário “Sulanca: A Revolução Econômica das Mulheres de Santa Cruz do Capibaribe”, dirigido por Kátia Mesel, registrou o protagonismo de mulheres que utilizavam retalhos para produção e geração de renda. Desde então, a atividade evoluiu e consolidou o Polo de Confecções do Agreste — formado por Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru — como um dos principais centros do setor no país, reunindo milhares de empresas e movimentando bilhões de reais anualmente.
Fonte: Jamildo





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