Presidente do BNDES questionou acesso de outro país a dados sensíveis durante transição e defendeu autonomia brasileira sobre minerais críticos
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, criticou nesta quarta-feira (23) a proposta do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de incluir representantes dos Estados Unidos em uma eventual transição de governo, caso seja eleito.
A declaração foi feita durante a 5ª edição da J. Safra Investment Conference, em São Paulo. Mercadante afirmou que o processo de transição presidencial envolve acesso a informações sensíveis de diferentes áreas da administração pública e questionou a possibilidade de compartilhamento desses dados com outro país. “Você tem acesso a todas as informações, da defesa, de milhares de clientes, do Banco Central, do PIX. Como é que você vai abrir essas informações para outro país?”, afirmou.
O presidente do BNDES também criticou manifestações de apoio, no Brasil, a medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Sem citar nomes, Mercadante fez referência a pessoas que passaram a usar símbolos associados ao movimento político de Donald Trump. “O cara faz um tarifaço de 50% e o pessoal põe o chapeuzinho do Maga, vai com a bandeira americana e sai batendo palmas na rua. Isso não tem como dar certo”, declarou.
Durante o evento, Mercadante ampliou o discurso para a discussão sobre soberania econômica e o controle de recursos considerados estratégicos. Ele afirmou que o Brasil corre o risco de entrar em um processo de “neocolonialismo” caso decisões sobre empresas e exploração de recursos naturais passem a ser condicionadas por interesses externos.
“Nós não podemos vender nenhuma empresa, nem podemos definir o que nós vamos explorar antes de consultar se os americanos têm interesse. Nós vivemos 400 anos como colônia. Nós estamos indo para um neocolonialismo digital e um neocolonialismo na região. Isso não é sustentável, isso não é correto”, afirmou.
Mercadante relacionou o tema à disputa internacional por minerais críticos, utilizados em setores estratégicos da economia e da tecnologia. Para ele, o Brasil precisa preservar autonomia para decidir como explorar seus recursos naturais e, ao mesmo tempo, considerar o cenário internacional em torno dessas matérias-primas.
“Nós somos grandes demais para aceitar o que quer que seja. Nós precisamos defender e falar e mostrar o Brasil para o mundo com altivez, com autonomia, com interdependência, com realismo em relação aos minerais críticos”, disse.
O presidente do BNDES também destacou as dimensões territorial, econômica e mineral do país ao defender uma estratégia própria diante das transformações da economia global. “Nós somos um país independente, nós somos um país grande, nós estamos entre as três maiores economias do mundo, na nova fronteira mineral”, afirmou.
A discussão ocorre em um momento de maior atenção do governo brasileiro aos chamados minerais críticos. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que prevê mecanismos para estimular o processamento desses recursos no país e ampliar a participação brasileira nessa cadeia produtiva.
Fonte: Jamildo






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