De cada mil litros de água tratada distribuídos em Pernambuco, 434 não chegam às torneiras, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE)
Pernambuco ainda está distante das metas de universalização do saneamento básico. Levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) mostra que 71,6% da população tem acesso à água tratada, mas apenas 29,4% conta com coleta e tratamento de esgoto.
Os dois indicadores ficam abaixo das médias brasileiras. No país, a cobertura chega a 84,1% para abastecimento de água e 62,3% para esgotamento sanitário.
O diagnóstico considera os 184 municípios pernambucanos e o Distrito Estadual de Fernando de Noronha e utiliza dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), publicados em dezembro de 2025.
De acordo com o levantamento, Pernambuco ocupa a 21ª posição entre as unidades da Federação no atendimento dos serviços analisados.
Pernambuco perde 434 litros a cada mil distribuídos
Outro indicador destacado pelo TCE-PE é o desperdício na rede de abastecimento.
Em Pernambuco, 43,4% da água tratada é perdida durante a distribuição, percentual superior à média nacional, de 39,53%, e aos 41,8% registrados no levantamento anterior.
Na prática, de cada mil litros de água distribuídos, 434 litros não chegam aos consumidores.
As perdas podem ocorrer por vazamentos em tubulações, rachaduras em reservatórios, problemas de pressão na rede, ligações clandestinas, furtos e falhas ou fraudes na medição dos hidrômetros.
Cortês lidera cobertura de água; Toritama, a de esgoto
O levantamento revela grandes diferenças entre os municípios pernambucanos.
Na cobertura de água, Cortês aparece com o melhor índice do estado, de 96,1%. Em seguida estão Cupira (94,7%), Caruaru (93,7%), Garanhuns (92%) e Surubim (90,5%).
No outro extremo, Santa Cruz da Baixa Verde registra cobertura de apenas 1,4%. Também aparecem entre os menores índices Paranatama (9,6%), Jupi (12,6%), Carnaubeira da Penha (17%) e Jataúba (24,1%).
No esgotamento sanitário, Toritama aparece com 100% de cobertura, seguida por Pesqueira (91,5%), Cupira (87,1%), Panelas (85,3%) e Bom Jardim (84%).
Os menores índices são registrados em Petrolândia (0,7%), Camaragibe (1%), São João (1,2%), Arcoverde (4,1%) e Igarassu (4,3%).
Salgadinho perde mais de 86% da água
As diferenças também aparecem quando o levantamento analisa as perdas de água.
Salgadinho registra o maior percentual de desperdício, com 86,1% da água distribuída perdida antes de chegar ao consumidor.
Na sequência aparecem Água Preta (81,9%), Camaragibe (71,9%), João Alfredo (68,1%) e Cabo de Santo Agostinho (66,7%).
Meta para 2033 ainda está distante
O Painel de Saneamento integra o acompanhamento realizado pelo TCE-PE sobre abastecimento de água e esgotamento sanitário no estado.
O trabalho monitora o cumprimento das metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, instituído pela Lei nº 14.026/2020.
A legislação estabelece que, até 31 de dezembro de 2033, 99% da população deverá ter acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto.
Os números atuais mostram que Pernambuco ainda precisa ampliar principalmente a cobertura de esgotamento sanitário para alcançar essas metas.
Desde 2020, o TCE-PE acompanha os municípios e Fernando de Noronha, incluindo a implantação dos planos municipais de saneamento e os indicadores de abastecimento de água e esgoto.
“O Tribunal continuará acompanhando a situação e cobrando dos gestores públicos o cumprimento dos prazos de universalização do Novo Marco do Saneamento, além de manter a população informada sobre como fiscalizar o andamento e a execução dos serviços”, afirmou Alfredo Montezuma, gerente de Estudos e Suporte à Fiscalização do TCE, em informe ao site Jamildo.com.
Fonte: Jamildo





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