Durante agenda no Recife, presidenciável afirmou que o diretório estadual decidirá alianças e comentou divergências com Flávio Bolsonaro
O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quinta-feira (18), durante agenda no Recife, que o partido ainda não definiu qual posição adotará na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026. A declaração foi dada durante encontro com filiados da legenda no Bairro do Recife, ao lado do presidente estadual do Novo, Técio Teles.
Segundo Zema, a decisão sobre uma eventual aliança na eleição estadual ficará sob responsabilidade do diretório pernambucano. O ex-governador citou diferentes arranjos políticos construídos pela sigla em outros estados para destacar que não há uma orientação única nacional.
“O partido Novo tem caminhado com o PL nos estados do Sul, em Goiás, com o PSD em Minas Gerais e em São Paulo já está definido que vai apoiar o Tarcísio. Aqui [em Pernambuco], vai caber ao diretório estadual a definição”, afirmou.
Ao comentar o cenário local, Técio Teles disse que o posicionamento da legenda será anunciado posteriormente, mas descartou uma aproximação com o grupo político liderado pelo PSB. “Uma coisa que repetimos sempre: do lado do PT ou do PSB nós não estaremos”, declarou.
Durante a visita ao Estado, Zema também abordou a relação do Novo com a família Bolsonaro e as recentes divergências envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). Apesar das críticas feitas ao parlamentar nas últimas semanas, o pré-candidato afirmou manter boa relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Em 2022, eu fui eleito em primeiro turno mesmo (o ex-presidente Jair) Bolsonaro tendo lançado um candidato em Minas Gerais, que teve 10% dos votos. No segundo turno, eu que sou anti-PT, dei apoio a ele. Me dei muito bem com Bolsonaro, agora qualquer um que se aproxime do Master, eu não vou bater palma”, disse.
As declarações ocorrem após a divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Nos diálogos, divulgados pela imprensa, o senador trataria da captação de recursos para um projeto audiovisual ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então, Zema tem intensificado críticas ao episódio e voltou a questionar a relação entre o parlamentar e o empresário. “Para mim, quem anda com bandido deve ser visto com cautela”, afirmou o ex-governador.
A posição gerou reações dentro do próprio campo político de direita. Em Santa Catarina, Zema chegou a ser retirado da programação de um encontro partidário, enquanto integrantes do diretório estadual sinalizaram resistência à sua pré-candidatura presidencial. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também reagiu publicamente, sugerindo nas redes sociais um rompimento entre o PL e o Novo.
Durante a coletiva, Zema afirmou que nunca manteve qualquer relação com Daniel Vorcaro e utilizou sua trajetória em Minas Gerais para reforçar o argumento.
“Eu moro há nove anos em Belo Horizonte. É onde nasceu o senhor Daniel Vorcaro. Onde ele estudou, onde ele casou, onde ele passou toda a vida. Eu nunca encontrei com ele. Ele nunca pediu uma agenda comigo. Ele foi atrás onde ele sabia que ia dar esquema”, declarou.
Apesar das divergências recentes com integrantes do PL, o presidenciável adotou tom cauteloso ao ser questionado sobre uma eventual disputa de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro. Sem antecipar posicionamentos, citou o exemplo das eleições chilenas para defender a união de setores da direita em uma eventual fase decisiva da disputa presidencial.
“Nós tivemos um caso recente no Chile, vários candidatos da direita indo para a eleição, um deles foi para o segundo turno e todos caminharam juntos. Aqui no Brasil não vai ser diferente”, afirmou.
Fonte: Jamildo





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