Ex-prefeito de Petrolina divulgou vídeo nas redes sociais após operação da PF que apura supostos desvios de emendas e contratos de pavimentação
O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), divulgou nesta sexta-feira (27) um vídeo nas redes sociais em que comenta a Operação Vassalos, da Polícia Federal, que o tem como um dos investigados. Na gravação, ele afirma que não haverá recuo diante da investigação e classifica a ação como tentativa de desgaste político.
“Não vamos nos intimidar por aqueles que querem manter Pernambuco no atraso. Vamos continuar trabalhando e lutando para trazer investimentos para o nosso estado”, declarou. Em outro trecho, acrescenta que a operação seria “uma ação espalhafatosa para tentar manchar o mérito do nosso trabalho”, disse ao tentar minimizar efeitos da investigação em sua pré-candidatura ao Senado.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o deputado federal Fernando Filho (União Brasil), pai e irmão de Miguel, respectivamente.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suposto esquema de desvios de emendas parlamentares e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) destinados à Prefeitura de Petrolina e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Parte dos recursos, de acordo com a petição, teria sido direcionada a contratos com a empresa Liga Engenharia Ltda., responsável por serviços de pavimentação no município desde 2017.
O que diz Miguel Coelho
No vídeo, o ex-prefeito destaca ações de sua gestão e afirma que os recursos obtidos por meio de articulação política contribuíram para o crescimento de Petrolina. “Durante a última década, usamos a nossa força política para garantir emendas e investimentos que transformaram Petrolina”, afirmou.
Ele também mencionou que trabalhou com diferentes governos federais, independentemente de alinhamento partidário. “Trabalhamos com os governos Temer, Bolsonaro e Lula, independente de bandeiras ideológicas. Nosso compromisso sempre foi com Pernambuco”, disse.
Em nota conjunta, Miguel e Fernando Bezerra Coelho declararam que, conforme decisão do ministro Flávio Dino, parte dos fatos já teria sido analisada anteriormente pelo STF, com posterior arquivamento. O texto também ressalta que a Procuradoria-Geral da República se posicionou contra as medidas pleiteadas.
Detalhes da investigação
De acordo com a Polícia Federal, o núcleo político investigado teria direcionado emendas e TEDs à prefeitura e à Codevasf, que, por sua vez, firmaram contratos com a Liga Engenharia. A apuração aponta que, após os repasses, haveria pagamento de vantagens indevidas e ocultação patrimonial por meio de saques em espécie, triangulações financeiras e uso de empresas ligadas à família.
A Controladoria Regional da União e o Tribunal de Contas da União são citados na petição como responsáveis por fiscalizações que identificaram falhas e concentração de obras em Petrolina.
Os autos mencionam R$ 198,8 milhões em convênios para pavimentação firmados pelo município, dos quais R$ 120,1 milhões teriam origem em emendas e TEDs atribuídos a Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho. Também são citados R$ 190,5 milhões empenhados à Liga Engenharia desde 2017.
A defesa de Fernando Bezerra Coelho afirmou que não teve acesso integral aos autos, mas declarou que os recursos foram corretamente destinados. A Bari Automóveis, concessionária mencionada na operação, negou vínculo societário com o ex-senador e seus filhos e afirmou que acusações anteriores já foram arquivadas pelo STF.
A Prefeitura de Petrolina informou que atendeu aos pedidos de apuração com transparência, que os recursos são instrumentos legais previstos na Constituição e que não há decisão judicial que reconheça prática de ilícito por parte da gestão municipal.
Fonte: Jamildo





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