Direção do partido avalia entrada do historiador e candidatura à Câmara em 2026, em meio a debates internos sobre projeção nacional da esquerda
O diretório nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) deve convocar nos próximos dias uma reunião extraordinária para discutir a filiação do historiador e comunicador Jones Manoel. Inicialmente, o encontro no início de março definiria a filiação, para além do debate da federação com o PT, mas uma liderança do partido afirmou que o clima esquentou e o debate sobre Jones ficou para a posteridade.
A expectativa de setores da legenda é que ele dispute uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e ajude o partido a ampliar sua presença no Nordeste. Nos bastidores, dirigentes avaliam que a candidatura poderia alcançar cerca de 200 mil votos e abrir caminho para a eleição do primeiro deputado federal do PSOL pela região, superando o protagonismo da direita no pleito de 2022 no estado, onde os parlamentares eleitos mais votados foram ligados ao campo conservador.
A movimentação ocorre após não avançar a possibilidade de federação do PSOL com o Partido dos Trabalhadores. A eventual entrada de Jones Manoel na sigla também tem sido observada por este interlocutor como uma disputa interna, porque que o crescimento político do historiador poderia ser visto como uma ameaça aos planos do ministro-chefe da Secretaria Geral da República, Guilherme Boulos (PSOL-SP).
Segundo essa fonte ao site Jamildo.com, Boulos tem buscado ampliar sua projeção nacional com vistas ao período pós-governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando uma possível reeleição ao quarto mandato. A avaliação é que o deputado federal licenciado tenta consolidar seu nome como possível liderança de unidade da esquerda em disputas futuras – como acontece com o atual presidente da República.
No passado recente, outros nomes chegaram a ser citados como sucessores de Lula, como o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que deixou a política ao assumir o cargo na Corte, e o senador Randolfe Rodrigues (AP), que coordenou a campanha presidencial de Lula em 2022.
Ainda de acordo com este interlocutor, lideranças jovens da centro-esquerda aparecem nesse cenário de projeção nacional.
Entre elas estariam Jones Manoel e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). “para Boulos, não é interessante que Jones seja deputado, nem João Campos seja o governador. Se ele tivesse sido prefeito (em São Paulo), o cenário seria outro“, avalia sob reserva.
Estes mesmos observadores veem o dedo de Boulos no voto da vereadora do Recife do PSOl Jô Cavalcanti pela abertura de uma CPI contra a gestão João Campos. Ele é uma das lideranças nacionais do MTST e militante pelo direito à moradia, ligada a Boulos.
Filiação de Jones Manoel no PSOL
De acordo com integrantes do partido, a eventual filiação de Jones Manoel deve ocorrer por meio de um modelo de “filiação democrática”, mecanismo que permite a participação eleitoral com compromissos políticos previamente estabelecidos com a legenda.
Entre os pontos discutidos internamente está o alinhamento às diretrizes partidárias, incluindo o apoio à reeleição do presidente Lula e o fortalecimento do campo da esquerda nas próximas eleições.
Apesar de setores próximos a Boulos manifestarem ressalva, segundo a apuração deste site, interlocutores do partido afirmam que a entrada de Jones Manoel no PSOL é tratada como certa, desde que haja acordo político sobre as condições da filiação.
Fonte: Jamildo





Comentários do post