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Redução da escala 6×1 pode aumentar produtividade em 4% e criar 4,5 milhões de empregos, diz estudo

Escala 6X1 virou debate nacional na última semana - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Redução da escala 6×1 pode aumentar produtividade em 4% e criar 4,5 milhões de empregos, diz estudo

Por: Redação
28 de fevereiro de 2026
in Notícias
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Levantamento da Unicamp indica impacto positivo no emprego e produtividade; governo articula proposta de 40 horas sem redução salarial

Um estudo da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aponta que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de empregos no Brasil e elevar a produtividade em cerca de 4%.

A análise integra o chamado Dossiê 6×1, elaborado por 63 autores, entre docentes, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais. O documento reúne 37 artigos sobre possíveis impactos econômicos e sociais da medida.

Segundo Marilane, o cenário atual reúne condições para a mudança. “Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirmou.

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento indica que cerca de 21 milhões de trabalhadores cumprem jornada superior ao limite de 44 horas previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além disso, 76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas por semana.

O estudo também relaciona a carga horária às condições de saúde. Em 2024, foram registrados aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças psicossociais associadas ao trabalho formal.

De acordo com as projeções apresentadas, a adoção de uma escala 4×3 poderia alcançar 76 milhões de trabalhadores. Já a redução para 40 horas semanais, no modelo 5×2, beneficiaria cerca de 45 milhões.

O debate ganhou respaldo adicional com nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026. O documento concluiu que o impacto financeiro da redução para 40 horas seria semelhante ao de reajustes históricos do salário mínimo, sem efeitos relevantes sobre o desemprego. Em setores como indústria e comércio, o custo operacional estimado seria inferior a 1%.

Lula entrou de cabeça na pauta

A proposta está entre as prioridades do governo federal para 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a revisão da jornada com base nas transformações tecnológicas. “Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos?”, afirmou em entrevista recente. Para ele, a discussão deve envolver governo, Congresso, empresários e trabalhadores.

“Essa não é uma tarefa só do governo. O governo tem que estabelecer uma discussão com o Congresso, com o empresariado e com os trabalhadores e fazer aquilo que é possível. O dado concreto é que está na hora de a gente fazer uma mudança na jornada para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”, declarou.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou em janeiro que o governo trabalha com a proposta de jornada máxima de 40 horas semanais, em escala 5×2, sem redução salarial. “A proposta que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso governo, é de, no máximo, 5×2, 40 horas semanais, sem redução de salário”, disse.

Ao defender a medida, Boulos citou experiências internacionais. Segundo ele, a Islândia reduziu a jornada para 35 horas em 2023, com crescimento econômico de 5% e aumento de 1,5% na produtividade. No Japão, um teste conduzido pela Microsoft com escala 4×3 teria elevado em 40% a produtividade individual. No Brasil, levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) com 19 empresas que adotaram jornada reduzida apontou aumento de receita em 72% dos casos.

A última alteração na jornada legal ocorreu com a Constituição de 1988, quando o limite foi reduzido de 48 para 44 horas semanais. “Mesmo assim, as empresas não quebraram, nem se gerou desemprego”, afirmou Marilane.

Fonte: Jamildo

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