Federado com o PP, União Brasil não pode decidir sozinho ficar independente, mas após desistência de Miguel Coelho grupo defenderá posição na convenção
O União Brasil publicou no sábado (01) uma nota oficial em que afirma que defenderá que o partido não faça coligação majoritária em Pernambuco, o que retiraria tempo de TV para a governadora Raquel Lyra (PSD).
O material foi assinado pelo presidente nacional do União e da federação União Progressista (União Brasil + PP), Antônio Rueda, e o secretário estadual do UB em Pernambuco, Carlos Andrade Lima.
A nota cita que, por orientação da Direção Nacional do partido, a convenção estadual deliberou por não formar coligação para cargos de governador e senador em Pernambuco, já que Miguel Coelho retirou a pré-candidatura ao Senado.
“A deliberação evidencia a divergência atualmente existente no âmbito da Federação em Pernambuco. O União Brasil manterá a posição aprovada por sua Convenção Estadual e defenderá esse entendimento perante as instâncias competentes da Federação“, termina o material.
Como Miguel Coelho não assinou o comunicado oficial e em seu vídeo de anúncio da desistência afirmou que tomou a decisão em acordo com Raquel Lyra para preservar a chapa, não se sabe a posição do político sobre a decisão do partido.
O prefeito de Araripina, Evilásio Mateus (PDT), que esteve na convenção do PSB no sábado e criticou a governadora Raquel Lyra, chegou a comentar na nota com emojis de endosso.
Apesar de afirmarem que não coligarão nas disputas majoritárias em Pernambuco, o que retiraria o União Brasil da chapa de Raquel e diminuiria o tempo de TV da governadora, como a legenda está federada com o PP ela não poderá tomar essa decisão individualmente.
Do ponto de vista jurídico-eleitoral, a Justiça Eleitoral trata a federação como uma entidade única e a nota do UB seria uma pressão política interna para o embate na convenção.
A tendência é que o grupo defenda essa posição na convenção da federação em 5 de agosto, mas ainda dependerá da posição do Progressista. Como a saída de Miguel Coelho da disputa confirma Eduardo da Fonte na chapa, é possível que o político e seus correligionários não acatem essa posição.
A decisão ocorreu horas após o ex-prefeito de Petrolina e até então pré-candidato ao Senado Miguel Coelho (União Brasil) comunicar sua desistência do pleito na chapa de Raquel.
O anúncio de Miguel veio depois de meses de negociação entre a governadora, ele e o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte (PP), que também pleiteava a vaga ao Senado. Como ambos são da mesma federação e Raquel indicará Túlio Gadelha (PSD) como primeiro candidato na Casa Alta, só restaria uma vaga.
Apesar das articulações do ex-prefeito sertanejo, Eduardo da Fonte saiu vitorioso da disputa, principalmente pelo número de prefeitos e deputados aliados e por liderar a federação no estado, o que dificultaria uma decisão sem seu apoio.
Marília Arraes afirma que ligou para Miguel Coelho após desistência
Na convenção do PSB no sábado (1), a candidata ao Senado na chapa de João Campos, Marília Arraes (PDT) afirmou que ligou para Miguel Coelho depois de saber da desistência.
Em coletiva de imprensa, Marília respondeu a um questionamento sobre a possibilidade de colocar Miguel ou um de seus familiares em sua suplência, que ainda não foi definida. A pedetista disse que “nunca deixei de ter diálogo com Miguel e com todo o seu grupo. E é importante que a gente mantenha esse diálogo, mantenha o respeito nas convergências e nas divergências”.
A candidata ao Senado disse que prestou solidariedade para família Coelho em uma ligação.
“Já liguei hoje para me solidarizar, não somente com ele, mas com outras pessoas da família. E vamos ver o que vai acontecer. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. De todo jeito eu desejo a eles muita força, muita resiliência e que eles continuem trabalhando pelo sertão“, disse Marília Arraes.
Até março, Miguel estava ao lado de João Campos na disputa pelo Governo, mas voltou a ser aliado da governadora ao não ser contemplado com uma vaga ao Senado. Aliados do socialista afirmam que João teria feito diversas articulações para colocar Coelho como seu candidato, mas a necessidade de manter a articulação com o PT e a força de Marília Arraes nas pesquisas teriam o impedido de inserir o sertanejo.
Em 2022, Coelho declarou apoio ao nome de Raquel Lyra no segundo turno contra a própria Marília Arraes após o ex-prefeito ficar em quinto lugar na disputa pelo Governo de Pernambuco. Em 2024, ao não se sentir contemplado na gestão de Raquel, o sertanejo migrou para o lado de João, com a inserção do irmão de Miguel, o deputado estadual Antonio Coelho, como secretário de Turismo do Recife.
Carlos Andrade Lima, que assina a nota do União Brasil, também foi indicado como secretário de João Campos no segundo mandato do socialista, apesar de ter sido adversário de Campos na eleição de 2020 pela Prefeitura do Recife.
Fonte: Jamildo





Comentários do post